Prefeitos perdem protagonismo em eleição estadual ao dividir votos

Durante muito tempo, o apoio de prefeitos do interior era praticamente sinônimo de sucesso eleitoral para deputados estaduais e federais. Quem acumulava prefeitos em seu palanque normalmente largava na frente e garantia votações expressivas. Porém, essa lógica vem perdendo força.

Com a escassez cada vez maior de recursos públicos e o aumento das demandas locais, muitos prefeitos passaram a adotar uma estratégia de divisão política. Em vez de concentrar apoio em um único candidato, dividem as bases: vereadores apoiam nomes diferentes, secretários também entram no jogo e o próprio prefeito, muitas vezes, tenta manter relações com mais de um grupo político.

Esse “arranjo” político — uma espécie de equilíbrio para agradar diferentes forças — tende a marcar o processo eleitoral deste ano no estado. A ideia é evitar desgaste e manter portas abertas com vários parlamentares que possam, no futuro, ajudar o município.

No entanto, essa tática nem sempre garante resultado. Muitos deputados passaram a avaliar que o chamado “apoio de prefeitura” ficou caro demais. Além das cobranças políticas e administrativas, existe o risco de o apoio não se traduzir em votos suficientes para justificar o investimento político e financeiro.

Por isso, alguns parlamentares estão preferindo apostar em apoios pulverizados, conquistando lideranças comunitárias, grupos locais e bases independentes, em vez de concentrar esforços em alianças institucionais com prefeituras.

Na eleição para governador a coisa muda de figura, já que não é normal haver a divisão de apoio na eleição para o executivo.

O resultado é um novo desenho eleitoral: ter muitos prefeitos ao lado já não significa, necessariamente, uma grande votação nas urnas. Nas eleições atuais, capilaridade social e presença direta nas comunidades podem pesar tanto — ou até mais — do que o tradicional apoio institucional das prefeituras.

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