O vice-governador Walter Alves, presidente do MDB no Rio Grande do Norte, pediu que todos os indicados pelo partido deixem os cargos que ocupam no Governo do Estado. A informação foi confirmada ao AGORA RN, nesta quinta-feira 12, pela própria assessoria do MDB.
A orientação da direção do partido acontece um dia depois de a governadora Fátima Bezerra (PT) exonerar dois cargos indicados pelo MDB: o diretor-presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Sérgio Rodrigues, e o secretário-adjunto Geomarque Nunes de França Junior, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).
Após receber a orientação de Walter Alves, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Alan Silveira, pediu exoneração, após quase oito meses no cargo. Ele publicou uma carta aberta à governadora Fátima Bezerra (PT) nas redes sociais. “É o fechamento de um ciclo repleto de aprendizados, desafios superados, conquistas compartilhadas e, principalmente, de convivência com pessoas incríveis, como a senhora”, disse Alan, nesta quinta.
Ex-prefeito do município de Apodi, Alan Silveira também listou realizações da gestão à frente da Sedec e acrescentou: “Saio com a certeza de que fiz o meu melhor, que dei toda minha dedicação e empenho. Saio com gratidão e orgulho por tudo o que vivemos e construímos. Levo comigo não apenas experiência, mas também amizades e memórias que ficarão para sempre.”
O MDB tem outros dois secretários na gestão: o ex-prefeito de Lagoa Nova Luciano Santos, da pasta de Assuntos Federativos, e o geólogo Paulo Varella, que está à frente da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
Rompimento
Em janeiro, Walter Alves anunciou que não assumirá o Governo do Estado caso se confirme a renúncia de Fátima Bezerra para disputar o Senado. Ela precisa deixar o cargo até 4 de abril para cumprir a regra de desincompatibilização.
O vice-governador tomou a decisão alegando que pretende ser candidato a deputado estadual e, para isso, também precisará se desincompatibilizar. Isso levará o Estado a uma eleição indireta para um mandato tampão, o que pode transferir o comando do governo para a oposição em pleno período eleitoral.
Além disso, Walter confirmou que não apoiará o candidato à sucessão apontado por Fátima — o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), declarando apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União). O MDB indicará o candidato a vice-governador na chapa, que é o atual deputado estadual Hermano Morais.
Com o rompimento com o partido, Walter abriu espaço para que os cargos indicados por ele estivessem à disposição de Fátima novamente.
Na sequência, Walter Alves colocou à disposição da governadora todos os cargos indicados pelo MDB na estrutura do Governo do Estado. A partir daí, instalou-se um silêncio institucional. Havia, nos bastidores, a expectativa de que o rompimento poderia não acontecer de forma total, pela possibilidade de o MDB ainda apoiar a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado.
Ao comentar a decisão do vice-governador em café com a imprensa na última quarta-feira 11, a governadora afirmou ter sido pega de surpresa e lamentou a forma como o processo foi conduzido.
“Acho que ele se precipitou. Acho que talvez ele tenha jogado fora a chance mais especial que ele tinha na vida dele de ser eleito governador”, declarou Fátima.
Poucas horas depois das declarações à imprensa, o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Sérgio Rodrigues, indicado por Walter Alves, foi substituído. Ele ocupava o cargo desde julho de 2025.
Nesta quinta-feira 12, mais um gesto concreto: o ex-prefeito de Apodi Allan Silveira, também indicado pelo MDB, pediu exoneração da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Em entrevista ao programa Tamo Junto, na FM Universitária, o Chefe da Casa Civil do Governo, Raimundo Alves, disse que Walter cometeu uma “traição política”.
O fato político é que, a partir deste momento, cada partido seguirá seu caminho, sem alianças, e sem cerimônia de despedida.
AGORA RN