
A operação deflagrada pela Polícia Federal em Mossoró, nesta semana, segue produzindo efeitos além do campo jurídico e já começa a repercutir com força no tabuleiro político do Rio Grande do Norte. O que mais chama atenção, até agora, não é apenas o conteúdo da investigação, mas o silêncio quase absoluto da classe política, especialmente entre aliados do pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra.
Passadas mais de 24 horas da operação, nenhuma nota oficial de solidariedade foi divulgada por partidos, lideranças estaduais ou nacionais que, até pouco tempo, figuravam como apoiadores de primeira hora do projeto político do prefeito mossoroense. O único gesto público partiu do deputado estadual Kleber Rodrigues, ainda assim em tom cauteloso e sem o peso de uma defesa política contundente.
Nos bastidores, o silêncio é interpretado como algo mais do que prudência. Para analistas e lideranças ouvidas reservadamente, a postura indica desconforto, cálculo político e, possivelmente, um início de afastamento estratégico. Em política, especialmente em períodos pré-eleitorais, aliados costumam correr para ocupar espaço na defesa pública quando acreditam na solidez do projeto e na viabilidade do nome. Quando isso não acontece, o recado costuma ser outro.
Há quem avalie que o episódio pode marcar um ponto de inflexão na trajetória de Allyson Bezerra rumo a 2026. A falta de manifestações sugere que setores da base preferem aguardar os desdobramentos da investigação antes de se comprometerem, evitando desgaste antecipado. Outros vão além e apontam que o silêncio pode revelar fragilidade na articulação política estadual, ainda não suficientemente consolidada para resistir a crises.
Também chama atenção o comportamento de lideranças que, nos últimos meses, apareciam em agendas públicas, fotos e discursos ao lado do pré-candidato. O recuo repentino reforça a tese de que o apoio era mais circunstancial do que orgânico, sustentado por expectativas eleitorais que agora entram em compasso de espera.
Se o silêncio vai se transformar em abandono definitivo ou se dará lugar a uma reação coordenada, dependerá dos próximos capítulos da investigação e da capacidade de Allyson Bezerra de recompor pontes políticas. Por ora, o fato concreto é um só: na política, o vácuo de apoio raramente é neutro — e quase nunca é ignorado.